

Formada em jornalismo pelas Faculdades Integradas de São Pedro (Faesa). Já atuou como Assessora de Imprensa da Prefeitura e Câmara Municipal de Aracruz, além de ter sido assessora de imprensa da Secretaria de Estado de Turismo do Espírito Santo. Izabel é jornalista nas emissoras de Rádio e Revista SIM da Rede SIM SAT, e escreve na coluna Panorama Político desde 2007.
email: izamendonca@hotmail.com
Surgiu um novo Lula. Que saiu direto do “eu não sabia” para “eu sei tudo”. O outro sumiu de cena ao cabo do primeiro mandato. Foi ele que ignorou a existência de “uma sofisticada organização criminosa” com gabinete a poucos metros do seu. O atual, salvo um imprevisto, permanecerá em cena até o último dia de 2010. Ou até mais se quiserem.
Não, não me abandone. Você não irá ler outra diatribe contra o presidente da República mais querido da nossa História. Sou franco e confesso: buscava há muito tempo uma maneira original de elogiar Lula, quem sabe de aderir a ele.
Imaginava esgotado o estoque de elogios que lhe poderiam ser feitos. Mas penso ter encontrado um que a ninguém ocorreu. Este: Lula é modesto. Quase diria modestíssimo. Ao contrário do que afirmam seus escassos adversários, o êxito não o cegou.
Você vê presunção quando Lula se define como um homem “abençoado por Deus” porque, certamente, “muitos outros presidentes gostariam de ter vivido um momento” como ele vive? Arrogância quando diz que seu sucessor enfrentará o “sério problema” de “fazer mais do que um metalúrgico”? Gabolice quando reclama dos que o xingam “durante o dia na Câmara e no Senado” para, à noite, saírem a distribuir “santinhos” com sua foto nos lugares onde mendigam votos?
Pois sinto muito, mas você está errado. Ou então faz parte da microscópica fatia de 8% dos brasileiros que avaliam o governo Lula como ruim ou péssimo. No Recife, por exemplo, 83% dos que ali moram avaliam o governo como ótimo ou bom. Eram 80% no início da campanha eleitoral.
No Sudeste, reduto dos que resistiam a Lula com bravura, a aprovação do governo passou de 47% para 57%. Lula xinga a Seleção Brasileira, exalta a Seleção Argentina, e nem assim sua popularidade despenca.
Pense comigo: se tanta gente que mora longe, muito longe de Lula, é capaz de ter a melhor opinião possível a seu respeito, que dizer do próprio Lula obrigado a conviver de perto com ele mesmo o tempo todo. Os brasileiros dão nota sete a Lula. Se ele se der nota 10 estará sendo espantosamente modesto.
Qual foi a crítica recente mais dura feita pela oposição a Lula? Foi aquela da propaganda eleitoral do candidato a prefeito de São Paulo, Geraldo Alckmin. Dizia: “Lula, tudo bem, mas o PT...”
É preciso que se entenda de uma vez por todas: em várias oportunidades quem fala por Lula não é ele, é o eleitor radical dele que o seqüestrou. Lula virou boneco de ventríloquo.
É por isso que desdenha da crise financeira mundial apontada por alguns analistas como mais séria do que a de 29 do século passado. Por aqui, como garante o eleitor a quem Lula empresta a voz, os efeitos da crise serão “imperceptíveis”. Apesar disso, avisa, examina a economia norte-americana “com uma lupa”.
Em 2003, mal havia assumido o cargo, Lula recusou-se a bater boca com “o sub do sub do sub” do FMI que dissera alguma coisa da qual ele não gostara. Pois você se deu conta que Lula começou a tratar Bush como “o sub do sub do sub”?
Irritado com uma pergunta sobre a crise, respondeu na bucha: “Crise? Que crise? Pergunte a Bush. Estou cuidando do Brasil”. Foi assim, palavra por palavra. Deu na televisão! E ele ainda debochou de veneráveis bancos que quebraram. Chamou-os de reles “palpiteiros”.
De fato, alguns dos “palpiteiros” consideravam a eleição de Lula um grave risco para a estabilidade econômica do continente. O Lula silencioso e reflexivo, que não guarda parentesco com boneco de ventríloquo, esse tem admitido nos ouvidos de quem julga merecedor de suas confidências que está muito preocupado com o risco de outros “palpiteiros” falirem, ameaçando a estabilidade da economia mundial.
O capitalismo corre forte nas veias de Lula.
Bote fé no homem! Se ele farejar perigo, enquadrará logo o Lula refém do eleitor e fará tudo o que for necessário. O Lula de verdade jamais rasgou dinheiro – dele ou dos outros.